Lésbica com ORGULHO!

Se perderes o direito de ser diferente, perderás o direito de ser livre...

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Terra Blog

27.06.08

Marina, Morena, Marina Você Se Pintou...

– Nem pensar!

Seu Francisco, prefeito de uma pequenina cidade do interior de São Paulo, ouvia calado.

– Vestido é coisa de mulher!

– E você é o quê criatura?

Silêncio.

– A senhora vai colocar vestido sim! Faço questão! Já que não vai casar mesmo, vai debutar e pronto!

A menina fez um muxoxo, mas concordou diante das ameaças de ter sua gorda mesada cortada. Seu Francisco já estava cheio dos “quereres” da filha única. Única em todos os sentidos, inclusive sexualmente.

Agüentara todos os seus desplantes: a expulsão do Sacré-Coeur, as reclamações, os escândalos, as fugas de final de semana para São Paulo. Foram catorze anos de sua vida aturando aquela menina que Deus lhe dera por rebento.

Agora chegou a sua vez. O prefeito não percebia, mas estava se vingando daquele molecote queimado de sol, cabelos curtos e espetados, tatuagens tribais e piercing.

Era motivo de chacota por parte dos adversários políticos, mas este ano tanto ela como eles não perdiam por esperar. Se as filhas de seus inimigos iriam debutar, a sua também iria. Como costumava proclamar em alto e bom som:

– Quem ri por último ri melhor.

Marcada a data, o prefeito levou generoso as mãos aos bolsos. Fazia absoluta questão de que tudo fosse do bom e do melhor. Sem economias. E mais importante: da maneira tradicional.

A mãe juntou-se à Comissão Organizadora do evento e palpitou em tudo: decoração, música, filmagens e fotos.

E o vestido então? Nas provas, Marina parecia outra pessoa. Sem o bermudão, boné e tênis, transformava-se a contragosto na filhinha da mamãe:

– Que linda! Você devia usar mais vestidos! Olha só…

Chegado o grande dia, Marina surge irreconhecível: maquiada, penteada, brinco e colar que foram de sua avó. Vestido esvoaçante branco e sapato de salto sobre o qual, caminhava desajeitadamente. A cidade inteira compareceu, inclusive suas “amigas”.

Nunca se sentira tão humilhada em toda a sua curta vida. Não colocava mais vestidos desde os oito anos de idade. Se pudesse fugia, saia correndo, morria ali mesmo.
No momento da apresentação, entrou enganchada a um pai radioso. Trazia na mão esquerda um pequeno buquê de flores brancas. "Coisa mais cafona!", pensava consigo.

O mestre de cerimônias apresentava as debutantes da cidade com as pompas que exigia a ocasião. Cada uma havia escrito sua breve biografia e intenções futuras, as quais seriam lidas acompanhadas de um filme sucinto, 15 minutos no máximo.

Chegara a vez do prefeito e sua filha:

– Apresentando-se a Senhorita Marina Cardoso de Lourenço, filha do Senhor Prefeito Francisco Cardoso de Lourenço e da Senhora Primeira Dama Sophia Cardoso de Lourenço.

A essa altura o pai é só sorrisos. Transbordava satisfação. Tem início o filme e a leitura da apresentação:

– Marina é sagitariana, odeia macarrão a bolonhesa, baile de debutantes, e, sobretudo vestido. Não suporta esta cidade pequena e chata onde já comeu todas as meninas que podia. Quer mais é que todos se fodam. Não pretende estudar, nem casar, nem fazer caridade. Vai montar uma banda de rock e irá morar em São Paulo. Para seus pais deixa o seguinte recado: “é a última vez que vocês me vêem.”

Bem, o apresentador poderia ter parado, mas a surpresa foi tanta que leu tudo do início ao fim e de um fôlego só. No telão eram projetados os momentos mais íntimos de Marina com diversas meninas da cidade: abraços, selinhos, beijos mais avançados.

O pai desconcertado, empalidece, sente o chão faltar. A mãe ampara. O salão que antes era só burburinho, agora emudece. Marina arremessa-se contra os pais boquiabertos. Começa a tirar os sapatos, a meia-calça, o vestido. Fica no meio de todos de cueca e sutiã e dispara certeira:

– Pai, o que eu te disse? Vestido não! Tudo menos vestido!




Li no site http://www.abcles.com.br/ e adoreiii...



[ Mowww te amoooooo...
Muito anciosa p/ te ter pertinhu de mim novamente... ]
  • criado por  LeLe criado por LeLe
  • Postado em 23:21:47
5 comentários
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